John Dewey, Filósofo e Pragmatista

Biografia Intelectual: Kant, Hegel, Pragmatismo.
John Dewey
John Dewey

John Dewey (1859-1952) graduou-se em 1879 e exerceu as funções de professor secundário durante dois anos, tempo em que desenvolveu um profundo interesse por Filosofia. Em setembro de 1882, deixou o ensino e retomou os estudos de Filosofia na Universidade Johns Hopkins, onde obteve o doutoramento, com uma tese sobre a ‘psicologia’ de Kant.
Dewey exerceu a função de professor de Filosofia na Universidade de Michigan, onde ensinou a partir de 1884. Três anos mais tarde publicou seu primeiro livro, Psychology, onde propôs um sistema filosófico que conjugasse o estudo científico da psicologia com a filosofia clássica alemã.
Esse livro foi importante para o passo seguinte da carreira de Dewey, o cargo de professor de Filosofia Mental e Moral na Universidade de Minnesota, que assumiu em 1888. No ano seguinte, porém, regressou à Universidade de Michigan para se tornar chefe do Departamento de Filosofia. Em 1894 saiu de Michigan para a recém-criada Universidade de Chicago, onde logo passaria a liderar os departamentos de Filosofia e de Pedagogia, este criado por sua sugestão.
No final da década de 1890, Dewey começou a afastar-se da sua visão basicamente neo-hegeliana e a adotar uma nova posição, que viria a ser conhecida mais tarde como pragmatismo.
Depois de problemas na política interna do Departamento de Educação da Universidade de Chicago, Dewey abandonou a instituição para se ligar à Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde permaneceu até ao fim da sua carreira no ensino, em 1930. Continuou, no entanto, a ensinar como Professor Emérito até 1939, e continuou a escrever e a intervir socialmente até às vésperas da morte.
John Dewey é reconhecido como um dos fundadores do pragmatismo norte-americano (juntamente com Charles Sanders Peirce, William James e George Mead), e como representante principal do movimento da educação progressista (ou progressiva) norte-americana durante a primeira metade do século XX. Entre suas obras se destacam: Reconstrução em Filosofia, Experiência e Natureza, A Busca da Certeza, Arte como Experiência, O Público e seus Problemas, e Democracia e Educação.

Filosofia, Educação e Democracia

Como se pode ler em Democracia e Educação, Dewey tentou sintetizar, criticar e ampliar as filosofias da educação democrática ou protodemocrática contidas em Rousseau e Platão. Viu em Rousseau a valorização do indivíduo, enquanto Platão acentuava a influência da sociedade na qual o indivíduo se inseria. Dewey contestou esta distinção. Tal como Vygotsky, ele concebeu o conhecimento e o seu desenvolvimento como um processo social, integrando os conceitos de sociedade e indivíduo. Para ele, o indivíduo somente passa a ser um conceito significativo quando considerado como parte inerente de sua sociedade. Esta, por sua vez, nenhum significado teria sem a participação dos seus membros individuais. Depois, como reconhece na obra posterior Experiência e Natureza, o empirismo subjetivo da pessoa é que realmente introduz as novas ideias revolucionárias no conhecimento.
Para Dewey era de vital importância que a educação não se restringisse à transmissão do conhecimentos como algo acabado – mas que o saber e habilidade adquiridos pelo estudante pudessem ser integrados à sua vida como cidadão, como pessoa.
No laboratório-escola que dirigiu junto com sua esposa Alice, na Universidade de Chicago, as crianças bem novas aprendiam conceitos de física e biologia, presenciando os processos de preparo do lanche e das refeições, que eram feitos na própria classe. Essa ligação entre ensino e prática cotidiana foi sua grande contribuição para a escola filosófica do Pragmatismo. Mas essa iniciativa pedagógica durou apenas três anos, e Dewey teve de deixar Chicago. Criou, então, a famosa Lincoln School, em Manhattan (Nova Iorque), que também durou pouco tempo.
Sua ideias, bastante populares, nunca foram ampla e profundamente integradas nas escolas públicas norte-americanas, embora alguns dos valores e premissas tenham se difundido. Suas ideias de “Educação Progressiva” foram duramente perseguidas no período da Guerra Fria, quando a preocupação dominante era criar e manter uma elite intelectual, científica e tecnológica, para fins militares. No período pós-Guerra Fria, entretanto, os preceitos da Educação Progressiva ressurgiram na reforma de muitas escolas, e o sistema teórico de educação formulado a partir das pesquisas de Dewey tem evoluído.
Dewey é conhecido nos Estados Unidos como um filósofo ‘radical’, profundamente engajado, na teoria e na prática, na luta política e social do seu tempo, em movimentos sociais e em experiências de organização social e política, com posições democrático- radicais, sociais-democratas e mesmo socialistas.

 Video de Introdução a Dewey, com Larry Hickman

Dewey e o Pragmatismo Filosófico Norte-Americano

John Dewey fundou e conduziu a Escola Pragmatista de Chicago durante os dez anos em que esteve nesta universidade, de 1894 a 1904, um grupo que incluía George H. Mead, pragmatista, representante do socialismo simbólico, em sociologia e psicologia social.
Dewey é uma das três figuras centrais do pragmatismo nos Estados Unidos, ao lado de Charles Sanders Peirce (que re-significou o termo após a leitura da antropologia prática de Immanuel Kant), e William James (que popularizou a concepção pragmatista e a desenvolveu em contato com a filosofia francesa da época e com o pensamento de Stuart Mill). Mas Dewey não chamava sua filosofia de pragmatista, preferindo para ela o termo “instrumentalismo”.
Sua linha filosófica era de influência fortemente hegeliana e neo-hegeliana, mas também, como no caso dos outros dois pais fundadores, de influência empirista e utilitarista.
Assim como houve um ressurgimento da filosofia progressista da educação, as contribuições de Dewey para a filosofia (afinal ele era muito mais filósofo do que pedagogo) também voltaram à baila, a partir dos anos 1970, com pensadores como Richard Rorty, Richard Bernstein e Hans Joas. Mas também Putnam e Habermas.
Por causa de seu processo de orientação e visão sociologicamente conscientes do mundo e do conhecimento, muitas vezes Dewey é tido como alternativa válida a dois modos de pensar – o moderno e o pós-moderno -, mesmo sendo-lhes contemporâneo. No Brasil, Dewey teve considerável influência filosófica, pedagógica e política sobre Anísio Teixeira, entre outros intelectuais brasileiros críticos e progressistas.

(adaptado da Wikipedia)